Porto Seguro

Posted on 10:45
Aonde eu encontro de tudo, esculhambação, afeto, alegria, sacanagem. Minha família não poderia ser melhor. Agradeço a todos os deuses e deusas por ter me dado de presente vocês.

Eis alguns da família paterna:









O vôo desencantado

Posted on 18:46
Vestibular da UFPA faz cada coisa com a gente né?


Agora tenho que fazer um monólogo pra prova de habilidade pro curso de teatro.^^


E pra dar inspiração, na verdade praticamente copiar o texto e transformar em monólogo, escolhi o maravilhoso livri que quase ninguém conhece da CHRISTINA. É, só tem o primeiro nome mesmo... O livro chama Estrela Apagada e consta de várias crônicas maravilhosas que a Christina escreveu.


A crônica escolhida pra virar meu monólogo foi a do 'Vôo desencantado'. Leiam:


Um...dois...e...três! - deu o salto, o salto colossal do muro até o chão. Não era um salto, era um vôo, ou antes, era uma simulação de vôo, porque, se havia qualquer coisa de enorme em sua vida era aquele resistente, incrível desejo de imitar um pássaro no instante de uma arremetida radiosa, leve, desfeita em rumores abafados de asas rasgando brechas na lisura dos ventos, na claridade vidrenta do ar.


Ainda desconhecida a alada frustração de Ícaro, porém, sem que o soubesse, era uma tardia filha de Dédalo a reviver o mesmo atormentado e sôfrego fascínio de asas pairando sobre o aturdimento das amplidões ancantadas. Pensava: 'Já fui anjo, toda gente já foi anjo, por que razão teriam desaparecido as nossas asas, se aqui na terra também precisamos delas para escapar, para ir brincar nas praias distantes, nos jardins das moradas felizes, e poder regressar ao ponto de partida antes do alarma da ausência? Mas, quem sabe se a gente tem asas e não sabe? Quem sabe se a gente precisa acreditar que tem asas para poder voar? Eu acredito, eu acredito. Amanhã vou experimentar: do muro alto eu voarei até o chão. Depois, se der certo, irei mais longe, serei ave de arribação.'


De pé, no cimo do muro alto - ah, parecia o arenque defumado da balada de Charles Gros, magrinha, meio oscilante, definhada lá no cimo do muro... -, ela sentiu, quase como uma dor, o apêlo, do solo seco e liso, a solicitação dos gramados irregulares, e não hesitou mais. Abriu bem os olhos, abriu os braços num abandono tenso e calculado, contou um...dois...e...três, e atirou-se à ilusão do vôo, riscando no espaço uma inclinação diluída.


Tudi ficou escuro de repente, escuro, silencioso e irreal, sem asas, sem muro, sem chão, sem menina. Quando emergiu desse mundo neutro, vinha ausente de espaço, fechada numa conformação de raiz, como um pássaro abatido.


13/08/2008

Posted on 20:12
Pode até ser culpa da TPM, mas hoje eu tô chata pra caramba...=x

Sabe aqueles dias em que tudo tá chato e não dá vontade de fazer nada? Este é meu dia.
Na verdade não tenho nem assunto pra colocar aqui (e há quanto tempo eu não tenho). Mas de repente deu vontade de escrever algo sobre mim, pra mim.

Aproveitando que ninguém lê esse blog e que eu insisto em deixá-lo vivo só pra depois ter a oportunidade de lembrar dos meus pensamentos, eis o melhor lugar além de uma folha de papel que depois iria pro lixa pra escrever.

Eu to lendo um livro. Ele não é lá essas coisas, mas sempre que leio este autor aprendo alguma coisa com suas palavras. Ele é Paulo Coelho. O livro, As Valkírias. Bem, esse livro fala de segunda mente, entre outras coisas importantes também. Mas essa tal de segunda mente tá me levando a reparar muito mais em meus pensamentos. Vou explicar pra depois eu não me confundi (ou confudir mais ainda...).

A segunda mente aparece quando percebemos que algum pensamento não nos deixa em paz. É como tentar resolver um trabalho da universidade e não conseguir se concentrar totalmente porque tem uma música chata tocando no teu cérebro. Isso atrapalha. Mas por outro lado, a segunda mente pode nos apontar àquilo que devemos dar atenção, nem que seja pra dissipar de vez o pensamento. Pode ser um amor ou uma prova de amanhã e esquecemos de estudar.

A minha segunda mente tá me irritando. Pois eu não me considero um exemplo de pessoa pra se apaixonar. Mas mesmo assim, ela insiste em me remeter a isso. Isso, eu não sei explicar. Já tentei uma ou duas vezes, mas ainda não explicar o que é se apaixonar ou pior, amar.

Só sinto uma imensa vontade de ver a pessoa, mas não quero tá perto dela. Não quero correr o perigo de me apegar. Além do mais, estar perto implica em não saber o que fazer, não saber o que falar e nem onde pôr as mãos. Às vezes eu quero sumir. Estar em lugar nenhum, pra pôr minhas idéias no seu lugar. Mas de repente eu apareço na frente dela e já não sei onde quero estar. Eu fico tonta, parece que usei todos os alucinógenos possíveis. Quase morro de tanta vergonha e explosões internas que corroem meu estômago. Porém, apesar de parecer muito com as descrições de amor dos poetas românticos, essa palavra não encaixa.

Eu não me vejo amando alguém. Muito menos sendo amada. Mas eu cansei de ser tratada como uma coisinha frágil que não pode sofrer o perigo de ser magoada ou de embalar porremente alguém que não quer mais que me beijar e tocar sem pudor. Contradições.

Traumas psicológicos às vezes deixam pessoas assim, que nem eu. Eu preciso de um psicólogo.